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Vo(lt)ar

1/2 conto de Natal

por meninapequenina., em 22.12.12

Iniciaria por "Era uma vez",se fosse caso disso.

Não sei sequer especificar as horas em que tal coisa se passa.

E se querem saber nem sei de que coisa se trata.

[Mas,vos garanto,não é uma história de dragões e princesas.]


Num qualquer sitio banhado pela escuridão e cercado pela neve não havia Natal.

O dia 25 era tão igual ao dia 23 como o dia 24 ao dia 21.

Não havia luzinhas nem grandes pinheiros enfeitados,havia um "Bom dia" de manhã tão sincero como o que tinha sido dito no dia anterior.

Mas tudo isto para vos apresentar a Carolina Manuela,que era uma daquelas trintonas a quem não corre nada de bem na vida e que num qualquer momento se decide a viajar.

Esta trintona vivia num qualquer sitio "à beira mar plantado", já dizia o poeta. E farta de ligar rádios e televisões e ouvir sempre o mesmo disco riscado fez as malas e lançou-se à descoberta.(fazendo jus aos descobrimentos portugueses e sendo céptica o suficiente para achar que iria encontrar novas estradas.)

Ora esta mulherzinha maldizendo as estradas tortas de nenhures avançou pelo seu próprio pé até sabe-se lá a onde. E tão banhada de sorte era ela que se perdeu,tanto no tempo - visto que o calendário teria ficado para trás - como no lugar - visto que o GPS [o amável Joaquim] não captava satélites em sabe-se lá a onde.

Quase forçada a desistir - aquando do confronto com o telemóvel sem rede - Carolina Manuela lembrou-se "Tudo vale a pena se a alma não é pequena." - tal como o poeta também disse.

Mulher bem educada como ela era aguardou a comparência de um qualquer ser,mas pessoas nem vê-las.

Sempre muito educada pensou "Porra,o Natal carago!" - pois,é que apesar de ser trintona tinha compromissos familiares e estando em Dezembro e não sabendo há quanto andava na rua,calculou bem calculado o tempo.

Envolvida e perdida em pensamentos eis que Carolina Manuela abre muito os olhos perante a brasa que se atravessa à sua frente. [nesta fase deixo que cada um desenvolva o conceito de brasa em sua mente.]

E já se sabe como fica esta gente a nível de neurónios nestas situações e C.M vai e começa a cantar "All I want for Christmas is you.". Ora,como dizia o poeta "aí é que o caldo se entornou." - chegada a esta fase já não tenho a certeza qual poeta o terá dito.

Chamaremos à brasa sabe-se lá como,sendo que esta personagem desconhece o Natal e tudo o que dele advém é de não estranhar a confusão que se instalou em toda a sua expressão facial.

Até porque,não sei se já referi em sabe-lá a onde fala-se sabe-se lá o quê.

Por isso para entenderem esta equação basta uma regra de 3simples e percebem a essência.

Manuela,mulher prática e demasiado neurótica diz "Primeiro estranha-se e depois entranha-se." .

Sendo que Sabe-se lá como era também ele um homem prático puxa por Manuela e leva-a para debaixo do Pinheiro.

Talvez não seja preciso afirmar que com pouca troca de palavras houve algo que se desenvolveu daí e sucessivamente nasceu.

E não,não me estou a referir ao Natal.

"Não procures nem creias,tudo é oculto." Diz o poeta para finalizar.

 A tudo isto se chamou aculturação,houve também a partir daí um aumento da taxa de Natalidade que muito agradou ao governo português.

E em sabe-se lá a onde começou-se a festejar o Natal,sabe-se lá a partir de quê- ou melhor sabe-se mas não se quer dizer.

Resta-me dizer que tudo isto aconteceu na noite da consoada,e que a partir daí os bons dias deram lugar a "Feliz Natal",sendo que não vos posso garantir a sinceridade absoluta das palavras.


Bom Natal!

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